terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Incoerências



Estava calor, mas ela sentia frio.

Sorria, mas estava triste.
As situações ainda não faziam sentido.
Quem dera um dia tivesse feito.
A angústia continuava, mas com outro caráter:
uma "pontinha" de esperança.
Restava a dúvida entre avançar ou desistir.


Refletiu por um longo momento.
Não fazia idéia de como tinha tomado esse rumo.
Decidiu, então, que não voltaria.
Tinha apenas algo em mente:
o desafio do próximo passo.


Ana Claudia Machado


sábado, 23 de janeiro de 2010

Desconectar


Fechei os olhos por alguns momentos. Sim, os mantive fechados. Tive medo de descobrir que tudo não passou de fantasias solitárias.
Enquanto o sonho amenizava a minha dor, era possível suportar.
Preciso admitir: chegou a hora de mudar!
Todos conseguem chegar bem perto de me machucar...
Com você é diferente.
Você ultrapassa essa barreira, me faz até pensar que não sobreviverei.
É a pior dor do mundo: aquela que não passa.
Aliás, todas as dores, quando surgem, parecem que nunca mais desaparecerão.

Da minha parte não cabe mais esforço.
Enfim eu percebi. Eu sei que não vou me acostumar nunca com a sua forma mesquinha de lidar com os sentimentos. Sei também, que ainda preciso descobrir uma maneira de me livrar desse seu silêncio pertubador, que consegue agir como um grito em mim.
Tenho medo dessa terrível sensação que toma conta do meu ser, que envolve a minha alma numa confusão sem precedentes: de querer ao mesmo tempo em que já não quero mais.



Ana Claudia Machado

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sons

O silêncio que me acalma
é o mesmo que me consome nos dias de desespero.
O silêncio do meu vazio.
O silêncio do seu olhar.

Na confusão das palavras, seu toque silencia e, ao mesmo tempo, transforma em caos tudo o que há em mim.


Espero um dia descobrir o suave doce desse silêncio amargo.



Ana Claudia Machado

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Novo?


O "fim" me lembra morte.
O "começo" me lembra nascimento.




1º de janeiro :
Nem fim e nem começo: apenas continuação.




Ana Claudia Machado


domingo, 20 de dezembro de 2009

Avesso


É quando o mundo desaba que você percebe que está vivo.
Se você não sentir dor alguma, não será capaz de entender o valor de um simples sorriso.



Ana Claudia Machado




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Guardado


"Qual o motivo do choro?"
Foi tudo que ela conseguiu ouvir no momento em que ainda soluçava em meio as lágrimas.
Imediatamente ela se virou e o encarou.
"Como ele podia ter coragem de dizer tais palavras?"- pensou.
Afinal, já deveria saber que o vazio que ela sentia, ele mesmo havia criado.
Momentos antes, ela sentou-se em frente ao espelho, tentou pronunciar algumas palavras, mas não houve êxito.
Sentia-se sufocada.
Não conseguia ao menos encarar o próprio rosto.
No seu coração era possível encontrar os mais profundos mistérios.
Procurou então pensar em outra coisa.
Mais uma vez não houve êxito.
Tudo o que pensava tinha algum tipo de relação com aquilo que ela pretendia evitar, mas sabia que era praticamente impossível.
Por um instante, passou as mãos sobre a cabeça.
Com esse movimento, ela achou que conseguiria espantar todos os seus tormentos.
Logo enfrentou a realidade: "não seria tão fácil", concluiu.
Aos poucos, as lágrimas eram engolidas.
Sabia que, mais cedo ou mais tarde, elas transbordariam.
Seus olhos procuravam enxergar além daquilo que via.
Ela já não era capaz de suportar tudo isso sozinha.
Mas também sabia, que não poderia contar com ninguém. Afinal de contas, a solidão já era quase uma sentença.



Ana Claudia Machado

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Inadmissível??


Ainda prefiro a verdade!
Não acredito que seja um absurdo.
Volta e meia me deparo com o
" e se não fosse mentira?"...
"e se não fosse apenas imaginação?"...
Não duvido de maneira alguma que existem coisas impossíveis.
Mas também não gosto de pensar que isso pode ser uma barreira.
Ao contrário, os desafios me fascinam.
Admito que parece mais uma brincadeira,
só que, nesse caso, a diversão é um sonho distante.


Tentei acordar e dizer: "Vamos brincar de impossível?"



Ana Claudia Machado

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sensatez


E se eu soubesse colocar em palavras pelo menos
metade daquilo que penso, daquilo que sinto
seria um pouco, como dividir aquilo que nem eu mesma consigo carregar dentro de mim.
Se fosse fácil explicar certas situações, determinados medos e angústias, seriam mais simples algumas soluções.
Se eu conseguisse abrir os olhos e não enxergar apenas o escuro, saberia que outras cores poderiam participar do meu dia.


Se eu pudesse parar o relógio por apenas alguns minutos,
saberia que o tempo é um amigo e também um inimigo.
Se eu soubesse o que pode me acontecer amanhã,
a vida perderia totalmente o sentido.
Não teria graça nenhuma.
Ainda bem que tenho dúvidas, estou viva!



Ana Claudia Machado

domingo, 15 de novembro de 2009

Súbito




Foi um salto tão alto que, por um momento, pensou estar voando...
Sentiu o ar congelar os seus pensamentos.
Sabia que não poderia continuar.
Mas nem por isso se deixou abater....
Já era tarde demais para fingir que não gostava!
Aquele gosto de liberdade tocava a sua face como uma brisa...
Foi então que percebeu: a mudança havia sido áspera demais,
o lugar de onde partiu já não existia mais!



Ana Claudia Machado



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Refém


O meu sorriso depende do seu
A sua presença me recria,
torno-me outra...
Me desprendo da realidade
Agarro-me a loucura!
No deserto dos sentimentos chove
Na leveza da noite um pesadelo
Sombras estranhas me guiam
Algo inusitado acontece.
A escada que sobe é a mesma que desce.
Me leva ao topo e ao mesmo tempo estremece.
Um longo olhar vem de longe e me aquece
Por um instante o relógio pára
os lábios mais quentes se deixam encontrar
Um momento de glória fica no ar
As mesmas sombras reaparecem,
te levam pra longe e não obedecem
Um novo dia surge.
Sem garantias nenhuma,
essas mãos agradecem.




Ana Claudia Machado

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Respostas


E por quantas vezes já não me fiz a mesma pergunta?
Temo já saber a resposta....
A angústia insiste em me perturbar...
Atravessa os limites do tempo....
Transborda através dos meu gestos.

Há que se entender, ao menos, que existem perguntas que ficam sem respostas,
Que nem todos os sonhos são realizados
Que nem toda semente dá frutos,
Que nem toda busca chega ao fim.


Entretanto, aquilo que hoje é 'parte',
já esteve presente num 'todo'
e, por isso, não suporta a idéia da divisão.



Ana Claudia Machado

domingo, 11 de outubro de 2009

Fases


Era como um vazio...
Quando se sentia pequena lembrava que era forte,
Quando ameaçava chorar buscava os amigos,
Tinha vezes que lamentava tremenda dor em tão pouco tempo,
Mas logo se lembrava que em meio a tanto sofrimento também havia felicidade.
É bem verdade que não havia equilíbrio entre essas duas fases...
Elas coexistiam de forma intensa e ao mesmo tempo frágil.
Bastava pouco para uma superar a outra, e quando as batalhas chegavam ao fim,
ninguém sabia ao certo se era o momento de sorrir ou de chorar...
A confusão estava sempre prestes a aparecer:
por vezes com um sorriso triste...e muitas outras com um choro contente...
Não era necessário se esconder quando sentia medo,
a constante ameaça lhe dava força.



Ana Claudia Machado


domingo, 20 de setembro de 2009

Ideais


Triste saber que estamos passando por um momento em que a juventude anda tão desmotivada.
Saber que muitos não tem metas e objetivos nos faz pensar no passado,
em que a juventude trazia no peito aquela sede por mudança.
Quantos não morreram por seus ideais?
Hoje vemos os ideais morrerem dentro de cada um....
Esquecemos do pensamento socrático "Conhece-te a ti mesmo" (poucas vezes compreendido),
Em que só podemos buscar a verdade do mundo,
quando temos a nossa própria verdade...
Apenas quando soubermos o que queremos da vida
é que poderemos saber o que ela tem a nos oferecer.


Ana Claudia Machado

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fuga


Não teve como esconder algo que estava estampado em seu rosto.
Não conseguiu fingir por muito tempo.
Ainda não sabia se estava no caminho certo,
Por mais que as evidências fossem claras!
Tinha chances de voltar, mas preferiu continuar
Durante o percurso caiu muitas vezes, machucou-se.
Sentiu tanto frio, que não soube se conseguiria suportar.
A solidão, inimiga indesejável, esteve presente a maior parte do tempo.
Procurou por abrigo, mas não o encontrou
Teve pressa, sentiu- se sufocada, por diversas vezes perdeu o fôlego!
Mas já não adiantava correr
Por mais que se distanciasse, estaria sempre perto:
Aquilo que a fazia fugir estava nela mesma.


Ana Claudia Machado


domingo, 13 de setembro de 2009


Sim, mais um selinho!
A , minha amiga, companheira na blogosfera me presenteou novamente!
Bom, assim como o outro, devo seguir 2 regrinhas:
Primeiro: falar 5 coisas que amo fazer
Segundo: indicar 3 Blogs para esse selo!
Vamos lá!

-Amo sorrir!
-Amo literatura!
-Amo sair com os amigos!
-Amo ir pra faculdade!

-Amo dormir!

Indicados:

-Blog da Taís
-
Blog da Line
-
Blog da Ana


Obrigada à todos que sempre passam por aqui!


Ana Claudia Machado

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Reinado


No meu castelo, o sol toca todas as paredes
As soluções existem, estão escondidas no jardim...
....brotam, junto com os espinhos das rosas !
Na escadaria da entrada, ao subir e descer, os sorrisos e as lágrimas se misturam...
Isso não é um conto de fadas...
o famoso "pra sempre" é uma farsa!
Quem sabe se a felicidade não é apenas utopia?
O tesouro do meu reino está fora dele!

Ana Claudia Machado


sábado, 22 de agosto de 2009

Inverno


O forte vento leva com ele metade de mim...
Minhas mãos congelam, faltam-lhes algo.
São épocas de muito frio.
Meu coração estremece...
Sente necessidade de esquentar-se...
Uma grande ventania tumultua meus pensamentos
Meus dias se tornam nublados, confusos!
As tempestades são mais comuns no verão
Mas nem por isso deixo de temer
Torno-me chuva, não por querer..
Mas porque divido-me em milhares de pequenas gotas
todas igualmente imprecisas.
Não sabem ainda para onde vão...
Por enquanto, caminharei rumo ao sol
Porque mesmo escondido atrás das nuvens eu sei que ele existe
Enquanto eu não posso tocá-lo, um sorriso me aquece.

Ana Claudia Machado

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Orvalho


Soprou leve, mas teve capacidade de estremecer tudo!
Mostrou pouco, mas desvendei grandes coisas....
Surgiu firme, e agora é tão doce
Com a suavidade das palavras alcancei o céu
Gotas de orvalho caíram sobre mim novamente
Não deixarei que se percam
Através da liberdade dos sonhos provei a realidade
Era desejo, e não deixou de ser...
Ana Claudia Machado

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Arte


Sabe-se que todo artista é fruto de seu tempo, desse modo, toda arte está fundamentada no contexto e técnicas de sua época.
Com o decorrer dos anos, o homem acaba criando maneiras cada vez mais avançadas para poder se expressar. A arte, como uma dessas formas de expressão, tem como característica essa constante renovação.
A busca pelo "original" acarreta, antes de mais nada, um aperfeiçoamento das técnicas utilizadas.

A "pós-modernidade", apesar de não ter ainda uma definição concreta, está intimamente ligada à "informatização". O modo como os meios digitais avançam em relação ao nosso cotidiano, e altera o nosso modo de viver, deve ser levado em consideração. Essa "informatização do cotidiano" se introduz em diversos aspectos, principalmente em um fator muito importante: a Cultura!

A arte que nos é proposta atualmente traz consigo essa característica da "pós-modernidade", ou seja, tenta-se "informatizá-la" com diversos dispositivos tecnológicos. Procura-se ampliar o conceito de arte a todo instante, existe uma forte tentativa de massificá-la através da Indústria Cultural.

A busca pela distribuição veloz de "bens simbólicos" mudou amplamente a nossa relação com o tempo e, definitivamente, a velocidade se faz necessária! Desse modo, são utilizados meios que proporcionam essa velocidade. O meio digital toma posse desse pressuposto e surge como a alternativa “ideal” para solucionar esse problema, trazendo assim, uma nova perspectiva sobre o que é arte.


Ana Claudia Machado

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sentir



Tudo o que fez foi sentir...
Sentiu como nunca antes acontecera
Com toda intensidade possível
Foi quase triste...incompreensível.
O pesadelo foi saber que sentiu só
Que não teve escapatória
E mesmo diante de tantas lágrimas haviam sorrisos.
Muitas lágrimas correram pela sua face ao saber que esses sorrisos não eram seus.
E mais uma vez sentiu.
Não da mesma forma que antes....
Não mais como uma missão...
Apenas sentiu.

Chegará o momento em que seus olhos brilharão de verdade
Em que não será preciso esconder seu sofrimento
Não serão esses olhos a te olhar quando esse momento chegar
Todavia ainda sentirá um alívio
Pois, em seu íntimo, terá as razões mais claras
Mesmo que nunca mais os veja... sentirá!

Ana Claudia Machado